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Espetáculo do Sesc Santo Amaro une sabma e ópera para contar a história da comunidade da Zona Sul de São Paulo

Realizado pela unidade em parceria com a Comunidade Samba da Vela e Cia. de Teatro Paidéia,“Sampa-Ópera-Samba” será apresentado nos dias 24, 25 e 26 de abril, no Centro Universitário Senac
Data: 14/04/2008


A diversidade artística do bairro de Santo Amaro – forjada desde os imigrantes alemães, passando pela tradição portuguesa e hoje também representada pelo samba de raiz, forró e as artes cênicas – é o tema do espetáculo “Sampa-Ópera-Samba”, realização do SESC Santo Amaro em parceria com os músicos do Samba da Vela e com a Cia. de Teatro Paidéia. A montagem será apresentada nos dias 24, 25 e 26 de abril, às 21h, no Centro de Convenções do Centro Universitário Senac, com ingressos entre R$ 5 e R$ 20.

Para retratar parte deste cenário de pluridade cultural, o espetáculo terá como inspiração a trajetória de um dos principais expoentes da região, a tradicional Comunidade Samba da Vela. A história será contada a partir do formato da ópera, mas, ao invés da música lírica, fará uso de um dos gêneros mais tradicionais da MPB: o samba. A direção é de Amauri Falseti, com roteiro e dramaturgia de Cristine Rörig e direção musical de Paulo Franco.

A proposta da ‘ópera-samba’ é adaptar a concepção clássica da ópera, substituindo a música clássica orquestrada tradicional por um grupo de samba (violões, cavaquinhos, pandeiro e percussão) e preservando ainda os elementos do teatro, tais como cenografia, figurinos e atuação, além dos elementos do coro. Obras como “Ópera do Malandro” e “Geni e o Zeppelin”, de Chico Buarque, “Desconstruindo o Samba”, de Tom Zé e “Os Sertões”, de José Celso Martinez Corrêa são considerados exemplos do gênero, segundo a crítica.

“Sampa-Ópera-Samba” traz em seu elenco uma Camerata Popular formada por cinco músicos, 10 sambistas da comunidade Samba da Vela, 07 cantores do Coral Paidéia, 07 atores profissionais e 60 alunos da Cia. Paidéia – entre eles, participantes dos projetos de inclusão social e desenvolvimento artístico realizados pela Cia. Como músicos convidados, participam Caito Marcondes (voz e percussão) e Osvaldinho da Cuíca. Para o compositor José Marilton da Cruz, o Chapinha – que assina todas as canções da montagem – esta é uma oportunidade para destacar o samba no cenário cultural brasileiro. “Este trabalho é mais um que nos dignifica, deixando o sambista no seu verdadeiro lugar. O samba nunca foi marginal”, explica.

A iniciativa é parte do “Mutirão Cultural”, um plano de ação desenvolvido pela unidade Sesc Santo Amaro. Trata-se de uma rede de parcerias, envolvendo a comunidade e reunindo duas ou mais linguagens artísticas (neste caso a música e o teatro) para promover ações transformadoras. O objetivo do projeto é promover o encontro de dois movimentos culturais representativos da Zona Sul de São Paulo: a Comunidade Samba da Vela, com sua música, ala de compositores e visão cotidiana da região; e a Cia. Paidéia de Teatro, com sua capacidade de representação, dramaticidade, figurinos e cenários. Não para que cada um apresente isoladamente o que reconhecidamente fazem de melhor, mas, sim para buscar uma outra matriz, uma ópera-samba, de síntese artística diferente e completamente nova para a Zona Sul da cidade.

A possibilidade de encenar um drama com música é o principal motivo para a escolha da ópera na condução da narrativa. “Assim como Noel Rosa nos deixou, através do samba, maravilhosas ‘crônicas’ de seu tempo e vida, os compositores da Comunidade do Samba da Vela nos oferecem um rico material, estimulando-nos a contar e mostrar, através do teatro, histórias de nossa cidade e de nosso povo”, comenta o diretor Amauri Falseti.

Samba da Vela e Cia. de Teatro Paidéia consideram esta reunião uma celebração à vida na comunidade, seu cotidiano e os sentimentos de anônimos no grande emaranhado urbano da cidade de São Paulo. Cronista de seu tempo, o sambista mostra o mundo pelo olhar de um artista popular.

Concepção – Para que se estabeleça uma real aproximação conceitual de uma ópera, as composições musicais são recortes inter-relacionados entre si, que juntos formam um mosaico do bairro de Santo Amaro. O fio condutor da ópera-samba será um cronista urbano (o sambista), que será o ator e espectador das histórias que dão voz aos excluídos e personagens invisíveis da Zona Sul de São Paulo.

O personagem é inspirado em inúmeros compositores de samba da periferia, tendo por matriz recortes de memórias que retratam os primeiros momentos de construção da roda de samba, que se tornaria o tradicional Samba da Vela. Também contempla os muitos desencontros e problemas enfrentados pelos idealizadores do projeto até sua consolidação e legitimação alcançadas pelo reconhecimento cultural por parte de críticos e do público.

Comunidade Samba da Vela – Criado pelo compositor José Marilton da Cruz, o Chapinha e seu parceiro Paquera, que se juntaram a Magno Sousa e Maurílio de Oliveira, integrantes do “Quinteto em Branco e Preto”, o Samba da Vela é uma roda de samba semanal, onde novos compositores apresentam suas criações. O nome se deve ao fato de que o samba começa quando se acende uma vela e termina quando a chama se apaga.

O primeiro encontro dos sambistas aconteceu em julho de 2000, no bar Ziriguidum. Na primeira semana, apareceram cinco pessoas. Na seguinte, 15. Atualmente, mais de 200 pessoas participam da roda de samba.

Desde 2002, a morada do Samba da Vela é a Casa de Cultura de Santo Amaro. A idéia recupera com simplicidade uma prática comum dos compositores de outrora, que se reuniam em rodas de samba nos bares e botecos para construções coletivas e parcerias inusitadas. Hoje, a celebração é da arte, do espírito de um templo erguido dentro de cada um dos participantes da roda. Só nos primeiros cinco anos de atividade, 400 composições foram catalogadas.

Paidéia Associação Cultural – A Cia. de Teatro Paidéia é originária do Grupo de Teatro Monte Azul, criado em 1987, na Favela Monte Azul. A Paidéia Associação Cultural foi fundada oficialmente em 1998, inicialmente estendendo seu trabalho de resgate e integração social a duas escolas da rede pública municipal. Hoje a Cia. está abrigada onde funcionava antigamente um depósito ou galpão para lixo, transformado no Pátio dos Coletores da Cultura.

Além do teatro, a Paidéia tem um coral e um grupo de dança. Entre suas atividades também incluem promoção de encontros, palestras, seminários e parcerias com escolas públicas do entorno. Participa de movimentos de cultura, de festivais e mostras de teatro em São Paulo e no interior. Também já se apresentou em diversos países estrangeiros como Alemanha, Argentina, entre outros. Ao longo de sua existência acolheu mais de 500 adolescentes nos grupos da Cia. Paidéia de Teatro Jovem.

FICHA TÉCNICA

“SAMPA-ÓPERA-SAMBA” - SESC SANTO AMARO, CIA. DE TEATRO PAIDÉIA E COMUNIDADE SAMBA DA VELA
Local: Centro de Convenções do Centro Universitário Senac
Endereço: Av. Eng. Eusébio Stevaux, 823.
Capacidade: 450 lugares.
Dias: 24, 25 e 26 de abril, às 21h.
Duração: 60 minutos
Recomendação etária: Livre
Ingressos: R$ 20 (inteira), R$ 10 (usuário matriculado no SESC e dependentes, maiores de 60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino); R$ 5 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes)
Os ingressos deverão ser adquiridos pela rede SESC de ingressos, nas unidades do SESC.
Telefone: (11) 5525-1855
Realização: SESC Santo Amaro, Cia de Teatro Paidéia e Comunidade Samba da Vela.
Apoio: Centro Universitário Senac
Roteiro e Dramaturgia: Cristine Rörig.
Direção: Amauri Falseti.
Direção Musical: Paulo Franco.
Assistente de Direção: Camila Amorim, Fábio Coutinho, Flávio Porto, Manoela Pamplona e Rogério Modesto.
Cenário e Figurino: Núcleo de Cenografia da Paidéia. Márcio Vinicius (cenografia e figurinos), Sofia Lopes (produção), Viviane Andrade (assistente de produção), Ulisses Dourado e Ari Gomes (cenotécnica e adereços).
Letras das Músicas: Chapinha.
Músicos convidados/Participação Especial: Caito Marcondes (percussão e voz) e Oswaldinho da Cuíca.
Camerata Popular: Daniel Amorim (baixo acústico), Júlia Pires (flauta), Micaela Marcondes (violino), Rafael Barreto (violão) e Rodrigo Nery (violoncelo).
Comunidade Samba da Vela: Chapinha (pandeiro), Claudemir (cavaquinho), Denival (violão), José Alfredo (tan-tan), Junior (pandeiro), Leandrinho (percussão geral), Luiz (banjo), Magno (repique de anel), Marcio (surdo) e Maurilho (cavaco).
Coral Paidéia: Andréa Camargo, Ari Willians, Cláudio da Silva, Efigênia Ramalho, Fanny Moore, Maria Luiza Luz, Nilton Rosa e outros.
Elenco profissional da Cia. Paidéia: Aglaia Pusch, Camila Amorin, Flávio Porto, Manoela Pamplona, Rogério Modesto, Fábio Coutinho e João Marcelo Szwec.
Alunos da Cia. Paidéia: Aloísio Bandarra, Ana Beatriz Abreu, Ana Claudia Magalhães, Ana Maria Rezende, Ana Paula Alves, Ana Paula Carvalho, Anderson Dionísio, André Azevedo, André Wieding, Aruana Granier, Bárbara Suemy, Camila Finotti, Carmem Rosa Cibele Witcel, Claudia Onorato, Daniel Bay, Danielle Cristine, Débora França, Débora Ribeiro, Dhiana Cottens, Diego Veiga, Douglas Costa, Edilene Soares, Eliane Espínola, Fabio Lima, Fabrício Riso, Fernanda Blumtritt, Fernanda David, Fernanda Mattos, Gustavo Gonçalves, Iara Maria de Souza, Ingra Garcia, Jéssica Almeida, Juan Garcia, Karin Stephanie da Clara, Luiz Carlos Espínola, Lucciano Franco, Marcela de Sena, Márcia Gomes, Márcio Inácio Pirillo, Marina Bonetti, Marina Lopes, Michele Fernandes, Oliver, Paula Gálio, Pietrice, Priscila Barbosa, Raquel Rodrigues, Rodrigo de Abreu, Rodrigo Didier, Thiago Barros, Thiago, Valdênio José da Silva, Vanessa Vieira, Vitória de Mattos, Viviane Andrade, Willian Gomes e outros.
Equipe de Apoio: Débora Ribeiro e Viviane Andrade

Crédito da matéria: Editor – Edison Paes de Melo


 
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