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Espetáculo KABARETT, da Cia. da Revista, fica em cartaz no Miniteatro até 26 de junho
À luz de velas e com a opção de degustar uma taça de vinho, o público é transportado para o ambiente de um cabaré alemão dos anos 40
Data:
Num cabaré em Berlim, em 1940, o travesti Georgette recebe seu público sob os olhos atentos dos soldados da SS (guarda nazista). O show da noite segue normalmente com seus números e artistas, e caminha para um final surpreendente. Apesar das pressões, a alegria do lugar disfarça um grande movimento de resistência. Este é o mote do espetáculo Kabarett que, devido ao grande sucesso de público, estendeu a temporada no Miniteatro até 26 de junho.
O elenco dá vida a personagens extremamente fortes e encurraladas sob a pressão do movimento que causou o holocausto, o nazismo: o protagonista Georgette, travesti MC (abreviatura para mestre de cerimônia em linguagem da cultura hip hop); Claire, a corista virgem; Claude, irmão gêmeo de Claire; Margot, a corista mal-humorada; Trude, a corista atrapalhada, Klaus, o garçon \"nazista\", Manni, o dramaturgo, Helga, a pianista; Rudolf, o cantor de Ópera Bufa, e Heiner, o marinheiro. “O espetáculo não trata exatamente do nazismo, pelo contrário, cria um movimento de deboche muito forte, com algumas cenas onde a seriedade da situação é quebrada por Georgette, que já conhece seu destino”, conta Kleber.
Teatro de cabaré
Após vasculhar a origem do teatro de revista brasileiro, a revista francesa, o diretor acabou conhecendo este outro gênero, de origem alemã. Apesar das diferenças estruturais e da complexidade da língua, o teatro-cabaré tornou-se tão interessante à pesquisa da Cia. quanto a revista brasileira, por ser extremamente teatral e provocativo. Kabarett representa uma busca de caminhos “irmãos” na linguagem da Cia. da Revista. “Mergulhamos neste universo até que bem devastado por outros artistas e que, muitas vezes, associam o cabaré alemão apenas às canções de Kurt Weill.
Sobre as influências, o diretor relata que a peça teve inspiração “na genialidade de artistas do cabaré alemão do início do século XX, como Margot Lion, Claire Waldoff, Rosa Valetti, Trude Hesterberg e até na incomparável Marlene Dietrich. Há também outras influências, como os compositores Spoliansky, Rudolf Nelson, Friedrich Hollaender, Schiffer e também os grandes nomes da performance musical como Ute Lemper e Georgette Dee; “esta última, uma cantora transexual, com um eclético trabalho musical, que vive atualmente em Berlim e é considerada a diva do cabaré alemão”, conta o diretor Kleber Montanheiro.
Figurino e cenário para entrar no clima
Além de dirigir, Kleber Montanheiro é responsável pelo cenário e o figurino. A inspiração para a criação do figurino é uma mescla da estética da época com o contemporâneo. “O Berliner Ensemble é uma grande inspiração”, conta Kleber. “Com seu visual fantástico, suas maquiagens estranhas, a Ópera dos Três Vinténs é uma das minhas referências.”
A cenografia traz uma surpresa: no andar superior do Miniteatro será montado um cabaré, com mesinhas redondas, vinho, piano-armário que faz a trilha para as canções, feitas ao vivo pelo elenco, e um pequeno palco, com cortina que abre e fecha, fazendo a entrada e saída dos números. E tudo à luz de velas. “A proposta é fazer o público se sentir dentro de um cabaré em Berlim, na região do Mitte, que é um bairro artístico repleto de bares, galerias, varietés (os cabarés modernos), como uma Vila Madalena”, explica o diretor.
“Minha inspiração”, conta Kleber, “é o clima daqueles cabarés esfumaçados na Alemanha, em que parece que estamos entrando num subsolo, num lugar proibido. É um lugar onde a criação artística é muito forte, com os grupos trabalhando em linguagens diversas. Diria até que tem um pouco de Praça Roosevelt por lá.”
A Cia da Revista foi contemplada pela 15ª edição da Lei de Fomento ao Teatro do Município de São Paulo e a temporada de Kabarett faz parte deste projeto de pesquisa, com ingressos populares a R$ 5,00.
Para roteiro:
KABARETT – Texto, Direção, Pesquisa, Figurino, Cenário e Iluminação: Kleber Montanheiro. Elenco: Cris Rocha, Daniela Flor, Márcio Bueno Dias, Velson D´Souza, Greta Antoine, Erica Montanheiro, Paulo Vasconcelos, Rafael Presto, Kleber Montanheiro. Duração: 60 minutos. Ingressos: R$ 20. Censura: 16 anos. Capacidade: 40 lugares. Temporada: sextas e sábados às 22h30. Até 26 de junho.
MINITEATRO - Praça Roosevelt, 108. Não trabalharão com crédito e débito no início. Só cheque e dinheiro. Horário de funcionamento da bilheteria: sexta-feira - a partir das 19 horas, sábados e domingos – a partir das 14 horas. Ar condicionado. A capacidade do teatro irá variar de acordo com a peça. Telefone: (11) 2865-5955.
Crédito da matéria:
ARTEPLURAL Comunicação
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