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Macbeth, de William Shakespeare

A mais curta e uma das mais contundentes tragédias de Shakespeare, peça maior do teatro universal, ganha nova montagem com direção de Aderbal Freire-Filho, Daniel Dantas no papel-título, Renata Sorrah como Lady Macbeth e mais 10 atores completando o elenco numa produção de Próspero e Primeira Página Produções
Data: 18/06/2010


Depois de três meses em cartaz no Rio de Janeiro (janeiro a março de 2010) e de participar do Festival de Curitiba, Macbeth, de William Shakespeare (1564-1616), dirigida por Aderbal Freire-Filho e trazendo Renata Sorrah e Daniel Dantas à frente do elenco, chega a São Paulo no próximo dia 25 de junho, sexta-feira, às 21h, no Teatro SESC Pinheiros. A tradução é de Aderbal Freire-Filho e João Dantas, e no elenco estão, ao lado de Daniel e Renata, Thelmo Fernandes, Andrea Dantas, Edgard Amorim, Felipe Martins, Miguel Thiré, Guilherme Siman, Ricardo Conti, Charles Fricks e Marcelo Flores.

A obra traz Daniel Dantas na pele do atormentado Macbeth às voltas com um assassinato, e Renata Sorrah de Lady Macbeth, a manipuladora mulher que ajuda a atormentá-lo. Aderbal Freire-Filho mergulha em seu terceiro Shakespeare. Antes vieram Hamlet (protagonizado por Wagner Moura) e As you like it, em 1985

O personagem do rei Macbeth acompanha Daniel Dantas desde o começo de sua vida profissional. Dos tempos do Asdrúbal Trouxe o Trombone, quando protagonizou a antológica montagem de Ubu Rei (1975) – versão de Alfred Jarry para a tragédia shakespeareana –, à recente minissérie da Rede Globo, Som e Fúria (2008), em que interpretou um ator que daria vida a Macbeth. Na vida real chegou a ensaiar o papel com o Pessoal do Despertar no início dos anos 80, mas a peça acabou não estreando.

E agora, com esta montagem, produzida pelo próprio Daniel em parceria com Maria Siman, chegou o momento de o ator finalmente se encontrar com o personagem: “Venho me encontrando com essa peça pela vida afora. (...) os repetidos encontros foram deixando, cada um e todos eles, um resíduo, uma espécie de sedimento que foi se acumulando, ganhando volume e peso.

De tal maneira, que hoje só me é possível falar de Macbeth como um projeto de longos anos, que foi maturando lentamente até que eu sentisse que o meu impulso pessoal poderia, finalmente, agregar o de outros (...). E, ao sentir que essa pode ser a hora, começo a pensar como o próprio Macbeth, personagem, para quem a possibilidade de se tornar rei torna quase obrigatório o gesto que leva a tomar a coroa: se pode ser a hora, é a hora. E essa é a minha justificativa, pessoal, particular. Porque a peça, em si, não precisa mais de justificativa, justifica-se sozinha (...)”, afirma Daniel, que aposta na atualidade da peça: “Macbeth é o mais preciso e sucinto dos grandes textos de Shakespeare, e nosso desejo de fazê-lo apóia-se na crença de que o texto presta-se a uma montagem que se comunicará com a platéia da forma mais imediata, direta, simples e ao mesmo tempo ampla e profunda, como se o texto tivesse sido escrito há alguns meses, e não há quatro séculos”.

\"Para não declamar Shakespeare, mas aceitar sua poesia como natural, espontânea\", nas palavras do diretor, nos ensaios os atores leram muita poesia. \"Bandeira (e não falo especialmente da sua tradução de Macbeth), Drummond, Leminski, Manoel de Barros, PMC, Vinicius, Ana Cristina, Affonso Romano, Gullar, Geraldinho, Ruben Darío, Apollinaire, Juan Gelman, Borges, De Quincey (um pouco de prosa pra temperar) e muitos mais. Na maioria poetas do nosso tempo, em nossa língua, mas demos espaços a outras sonoridades\", conta Aderbal. Renata leu versos de Goethe em alemão; Daniel de Cummings, em inglês; Eron, Neruda, em espanhol; Felipe, Patativa do Assaré, \"em ceares\", como diz o encenador. \"Assim começamos a nos preparar para receber a poesia de Shakespeare, poeta genial, um dos maiores de todos.\"

SINOPSE - Voltando de uma batalha, Macbeth e Banquo, generais do exército escocês do Rei Duncan, encontram três feiticeiras. Macbeth é saudado profeticamente por elas como futuro Barão de Cawdor e Rei da Escócia, e Banquo, como pai de uma linhagem de reis. Nobres escoceses trazem a mensagem de que o Barão de Cawdor havia sido executado por traição e que todas suas terras e título passariam a Macbeth. A realização da primeira parte da profecia impulsiona a ambição de Macbeth em se tornar rei. Em seu castelo, sua mulher, Lady Macbeth, lê com satisfação a carta do marido relatando o encontro com as bruxas e a esperança ali contida.

Mais tarde, na noite em que o Rei Duncan se hospeda no castelo de Macbeth, este decide matá-lo, com a ajuda de Lady Macbeth. O ato brutal dá início a uma de série de assassinatos que Macbeth, já coroado rei, cometerá para manter-se no trono. De bravo guerreiro e grande general do exército escocês que retorna vitorioso dos campos de batalha; de súdito leal, merecedor da mais alta confiança do rei, Macbeth se transforma em um assassino inescrupuloso e bestial, cujos atos sanguinários são movidos por um único impulso: a ambição.

A MONTAGEM - Para Aderbal Freire-Filho, a tragédia de Macbeth pode ser compreendida para além de seu tempo, cabendo portanto, com a mesma propriedade, tanto na idade média (período em que se passa a trama) quanto nos dias de hoje. “Nada do que vai ser dito sobre o poder, a ambição e a condição humana nos é estranho. As questões colocadas por Shakespeare são universais e atemporais”, afirma o diretor, que provoca: “(...) Como as deles (dos Macbeth), nossas contradições, nossos gênios, nossas misérias conduzem nossos atos. Não, você não é Macbeth, amigo ouvinte, você não é Lady Macbeth, amiga ouvinte, mas quem sabe do que nós somos capazes?” E é a partir desta premissa que o diretor conduz sua montagem, situada no “não-tempo”, como ele mesmo define.

O diretor explica também que a ação, em Macbeth, é vasta e percorre muitos tempos, \"desde o tempo de um rei que não tinha essas características que tem na peça e que reinou generosamente a Escócia no século XI ao tempo de Shakespeare, passagem do século XVI para o XVII (os reis que aparecem a Macbeth, invocados pelas bruxas, percorrem muitas gerações), até hoje, nosso tempo de reis anacrônicos, mas de reinos igualmente sanguinários\".

Sobre a montagem, Aderbal fala, ainda, que, \"assim como Shakespeare incluía referências ao seu tempo nas palavras de seus personagens, incluímos referências ao nosso tempo. A representação teatral mais fiel de uma época é um jogo de anacronismos, nossa tarefa é tratar do seu equilíbrio, para isso somos de circo\". O diretor diz que \"convivem os tempos atuais e os tempos da ação histórica por um momento e a partir daí vamos ao tempo do teatro, que é todos e nenhum\".

Para Renata Sorrah, desvendar Lady Macbeth passa por alcançar o entendimento profundo que o autor tem sobre a natureza feminina: “Lady MacBeth não é uma assassina qualquer. É um mergulho no abismo. Procurei aqui e ali, em cada dobra da personagem, um traço, que fosse, de humanidade - no amor ao marido, na ambição de poder (também tão humana), mas nada parecia justificar tamanha vocação para o Mal. Seria isso, então? O triunfo de uma vontade pérfida abrindo um mar de sangue para chegar ao trono de rainha? Sim. Mas talvez Shakespeare tivesse outros planos, também, para ela. Em sua invocação infernal, Lady Macbeth pede que sejam removidas de seu Ser, a sexualidade e a doçura da maternidade, pede que seu leite seja transformado em fel, precisa disso para realizar seu plano criminoso. Vejo aí o elogio imenso, generoso, que Shakespeare faz à Mulher. A afirmação de que a natureza feminina é pura bondade, doçura e justiça. O crime, a traição e a maldade são o seu avesso. E só nesse avesso que sua máquina de maldade começa a se mover, sem hesitação ou remorso”.

Renata já tinha dividido Shakespeare com Daniel Dantas, quando fizeram juntos a comédia Noite de Reis. \"Muito bom dividir, agora, com ele, o casal mais apaixonado da Tragédia. Agradeço a Daniel esse privilégio. E a Aderbal, discípulo fiel e moderno de Shakespeare, por ter me conduzido com tanta firmeza e sensibilidade nesse terrível e fascinante labirinto\", afirma a atriz.

Na encenação, Aderbal optou por um palco dividido em pedaços e que combina dois planos. No cenário de Fernando Mello da Costa sobre o chão e sobre ‘fragmentos’ de um palco, formados por quatro palcos (tablados) de 2 x 3m e pesando 400 kg cada, que cumprirão múltiplas funções na encenação. As cenas transcorrem tanto em cima desses tablados quanto nos corredores entre eles. Uma lona de caminhão reveste o piso do palco principal, e duas pernas delimitam as laterais do espaço cênico, mas deixando as coxias à mostra. Vinte e quatro cadeiras em ferro e em madeira, e outros elementos circunstanciais completam a arquitetura cênica criada por Mello da Costa.

O figurino de Marcelo Pies é atemporal, seguindo o conceito do diretor, com quem já vem trabalhando há algum tempo. A rudeza e a barbárie próprias da época – início da idade média - e contidas na ação dramática são evocadas pelo aspecto rústico dos materiais utilizados, todos de origem natural – couros, lãs, linho, algodão, borra de seda, tecidos de fibras vegetais - e que foram tratadas por Pies para adquirir aparência ‘selvagem e degradada’.

Os aspectos contemporâneos do figurino se traduzem pela sua característica lúdica e teatral. Para o elenco, exceto Macbeth (Daniel Dantas) e sua Lady (Renata Sorrah), há um figurino base em tons neutros de preto, cinza e cáqui, sobre o qual acontecem as transformações à medida que os atores mudam de personagem. As mudanças de figurino estão sempre à vista do público, já que as coxias são visíveis. Macbeth e sua Lady são os únicos a se diferenciar, usando roupas em tons mais quentes como o vinho e os avermelhados, e ostentando detalhes de sua ‘nobreza’ em tons dourados.

Tato Taborda constrói a representação sonora das três atmosferas básicas que se instalam na trama de Shakespeare: a aparente normalidade do início, por trás da qual pulsa a tensão causada pela iminência de um acontecimento terrível; a deflagração dessa tensão, acompanhada do aceleramento do ritmo dramático; e a deterioração mental que se abate sobre o casal com a consciência do fracasso e da inutilidade de seus atos tenebrosos.

A iluminação de Luiz Paulo Nenen é basicamente branca, com “aguadas” quase imperceptíveis de cor. A idéia é explorar, com economia de efeitos, os contrastes sugeridos pelo texto, criando áreas que alternam claros e escuros, luzes e sombras.

FICHA TÉCNICA
De:William Shakespeare. Tradução:Aderbal Freire-Filho e João Dantas. Direção: Aderbal Freire-Filho. Diretor assistente: Fernando Philbert. Elenco: Daniel Dantas – Macbeth, Renata Sorrah - Lady Macbeth, Camilo Bevilaqua –Rei Duncan, Thelmo Fernandes – Banquo, Felipe Martins - bruxa, porteiro, Angus, Miguel Thiré - Malcom, assassino, Charles Fricks – Ross, aparição, Edgard Amorim- Macduff, bruxa, assassino, Andrea Dantas- Bruxa, Lady Macduff, Guilherme Siman- Donalbain, Ricardo Conti- Fleance, Lennox, Marcelo Flores – Soldado, aparição. Cenário: Fernando Mello da Costa. Figurino: Marcelo Pies. Trilha Sonora: Tato Taborda. Iluminação: Luiz Paulo Nenen. Produção executiva e administração: Luciano Marcelo. Gerenciamento de projetos Primeira Pagina: Paula Salles. Direção de Produção: Maria Siman. Realização: Próspero Produções e Primeira Página Produções

Para roteiro
MACBETH - De William Shakespeare. Direção de Aderbal Freire-Filho. Com Renata Sorrah, Daniel Dantas e grande elenco. Clássica tragédia teatral que aborda a condição humana em seus extremos de poder e ambição. Não recomendado para menores de 14 anos. Ingressos à venda no Sistema INGRESSOSESC a partir de 01/06. R$ 20,00 (inteira); R$ 10,00 (usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino). R$ 5,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes). De 25/06 a 18/07. Sextas e sábados, 21h e domingos e feriado (dia 09/07), 18h.

SESC Pinheiros - Rua Paes Leme, 195. Horário de funcionamento da Unidade - Terças a sextas, das 13h às 22h. Sábados, domingos e feriados, das 10h às 19h. Tel. para informações: 11 3095.9400. ESTACIONAMENTO – COM MANOBRISTA – VAGAS LIMITADAS - Veículos, motos e bicicletas - Terças a sextas, das 7h às 22h; Sábados, domingos e feriados, das 10h às 19h. Taxas: Matriculados no SESC: R$ 5,00 as três primeiras horas e R$0,50 - a cada hora adicional // Não matriculados no SESC: R$7,00 as três primeiras horas e R$1,00 - a cada hora adicional. Informações sobre outras programações ligue 0800 118220 ou consulte o site: www.sescsp.org.br.

Crédito da matéria: Arteplural Comunicação


 
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