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Caixa Cultural São Paulo apresenta Kafka - Escrever é um sono mais profundo do que a morte

Montagem inédita e gratuita traz uma especulação perigosa e irresponsável sobre a infância de Franz... Kafka!
Data: 13/07/2010


Como teria sido a infância de Franz Kafka? Como poderia ter sido? Ou melhor, como poderia ter sido uma infância de um Franz Kafka? É dessa brincadeira macabra que nasce o espetáculo KAFKA – escrever é um sono mais profundo do que a morte, que acontece entre os dias 22 e 25 de julho de 2010, de quinta-feira a domingo, sempre às 19h, na Caixa Cultural São Paulo (Sé). A realização é do Grupo Delírio Companhia de Teatro, com texto e direção de Edson Bueno.

A história do pequeno Franz Kafka se inicia em Praga (Tchecoslováquia), onde vive e faz da cozinha da casa de sua mãe um refúgio secreto para sua imaginação fértil. Ele transforma o lugar numa espécie de portal para a vivência lúdica com os próprios protagonistas de sua fantasia de terror. Monstros, animais e seres fantasmagóricos que representam poderes políticos, familiares e religiosos convivem, no silêncio da madrugada, com o seu eu-menino. Dessa experiência dolorosa, mas original, nascem aqueles questionamentos sobre a sua infância.

Transformamos o mais famoso escritor do século XX num personagem dele mesmo e jogamos com suas palavras, seu tempo, suas ideias e obsessões. O objetivo? Um sentimento artístico muito puro, mas bem pouco inocente. Um desejo de manipulação subjetiva, quando queremos transformá-lo num personagem dele mesmo e, percorrendo verdades históricas como racismo, preconceito, fascismo, acrescidos de lendas e abismos psicológicos familiares, sugerimos (irresponsavelmente!) que sua imaginação peculiar estava pronta para fazer dele o escritor que foi. Ao mesmo tempo dialogamos com a infância, suas assombrações e suas ansiedades. É muito? Talvez nem tanto, quando ainda usamos e abusamos de seus romances, contos e aforismos para construir uma outra história dele mesmo.

Conta-se que, quando Kafka lia trechos de O Processo em voz alta para seus amigos, ria incontrolavelmente! Nosso espetáculo não chega a tanto, mas procura seguir os passos de nosso escritor preferido, ao transformá-lo num personagem de ficção, vítima de sua própria literatura. Esperamos que por essa heresia, não venhamos a receber numa manhã qualquer a visita de policiais que nos levarão a intrínsecos corredores de um julgamento que, fatalmente, nos conduzirá à condenação. Mas se isso vier a acontecer... bem, nada mais kafkiano!

O sentido do espetáculo é o de dar compreensão da criação artística, ao público. Ao mesmo tempo em que revela Franz Kafka um escritor fundamental para qualquer público. Revelar Franz Kafka é iluminar a inteligência da plateia e emprestar à linguagem teatral um material riquíssimo que permite a criação de um espetáculo de teatro vivo e moderno, complementa o diretor Edson Bueno.

Sobre Kafka

Antes de ser adjetivo, Franz Kafka (1883-1924) era um judeu de Praga, nascido na inescapável tradição de fantasiosos contadores de histórias, habitantes do gueto e refugiados eternos. Praga, na época do nascimento de Kafka, em 1883, ainda fazia parte do império dos Habsburgos na Boêmia, onde coexistiam, para o bem ou para o mal, várias nacionalidades, linguagens e orientações políticas e sociais. Para Kafka, nascido tcheco e falando alemão, tinha dificuldade em formar uma identidade cultural clara. Não é preciso dizer que, para um judeu nesse meio, a vida era um delicado equilíbrio. Você se identificava primeiramente com a cultura alemã, mas vivia entre os tchecos. Falava alemão porque era parecido com o ídiche e era a língua oficial do império. O nacionalismo tcheco crescia contra a predominância alemã, e os alemães geralmente tratavam os tchecos com desdém.

Oprimido pelo pai, o pequeno Franz transforma a sua rotina diária de preconceitos sofridos em uma investigação livre, poética, mas comprometida, sobre os fantasmas (frutos de conhecimento, medo e inteligência), que fazem da literatura uma obra artística, mas também dolorosa, porque retrata a sociedade pelos caminhos da sombra.

E, é claro, TODOS odiavam os judeus. Esse fragmento, extraído do livro Kafka de Crumb, faz um panorama simples e veloz do começo da vida daquele que é um dos maiores e mais originais escritores do século XX: Franz Kafka! Autor de verdadeiras obras-primas conhecidíssimas como O Processo, A Metamorfose, O Castelo, Na Colônia Penal e Carta ao Pai, Kafka teve uma vida confusa, dolorosa e intensa, intelectualmente falando. Seus escritos relataram de forma expressionista, mas de precisão cruelmente cirúrgica, a condição humana diante da autoridade superior inatingível, fosse ela representada pelo governo, pela burocracia, pelo patrão, pelo policial, pela figura paterna ou até mesmo pelos fantasmas habitantes da vida interior. Seus personagens, acompanhando seu próprio sentimento diante da vida, reduziam-se, transformavam-se, decaíam e pereciam diante da doença que, segundo ele, era a própria condição humana. Jean-Paul Sartre chamou-o de existencialista, Albert Camus definiu-o como um teórico do Absurdo. Era uma figura ímpar. Nunca se sentiu pertencente a uma classe ou a uma pátria ou, mesmo, à sua própria língua. Nem mesmo se sentiu pertencente à sua família. Seu pai, comerciante severíssimo e imponente, sempre mandou na casa com uma autoridade nada sutil. Em seu livro Carta ao Pai, Kafka faz um testemunho pungente de sua relação com ele. Seu pai passou à história como mais um dos personagens do escritor, como uma espécie de personificação macabra de tudo o que, já na juventude, assombrava Franz Kafka : o poder, o castigo e a morte. A vida, segundo a literatura de Kafka, é uma eterna incompreensão e o mundo, uma insensatez.

Toda a educação assenta nestes dois princípios: primeiro, repelir o assalto fogoso das crianças ignorantes à verdade e, depois, iniciar as crianças humilhadas na mentira, de modo insensível e progressivo.

Ficha Técnica

Realização: Grupo Delírio Companhia de Teatro
Texto e Direção: Edson Bueno
Elenco
Regina Bastos
Marcel Gritten
Diego Marchioro
Martina Gallarza
Guilherme Fernandes
Edson Bueno

Produção: Banalíssima Arte
Direção de Produção: Clodoaldo Costa e Diego Marchioro
Assistente de Produção: Loana Campos
Cenário: Gelson Amaral
Adereços: Alfredo Gomes
Figurino e Maquiagem: Áldice Lopes
Criação de Luz: Beto Bruel
Sonoplastia: Chico Nogueira
Operador e Técnico de Luz: Fernando Dourado
Operador de Som: Leonardo Pimentel

Serviço:

Espetáculo KAFKA – escrever é um sono mais profundo do que a morte

Datas: de 22 a 25 de julho de 2010
Horário: de quinta-feira a domingo, às 19h
Local: CAIXA Cultural São Paulo - Praça da Sé, 111 – Grande Salão
Entrada: franca (os ingressos poderão ser retirados na bilheteria com uma hora de antecedência)
Capacidade: 100 lugares
Duração: 60 min
Classificação etária: 14 anos
Informações - Tel: (11) 3321-4400
Acesso para pessoas com necessidades especiais
Patrocínio: Caixa Econômica Federal

Crédito da matéria: Assessoria de Imprensa Cultural - Regional Paulista


 
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