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Grupo de Curitiba mostra Psicose 4h48, com Rosana Stavis, no Fábrica São Paulo
Representante do teatro inglês contemporâneo, a peça Psicose 4h48, de Sarah Kane, estréia no Teatro Fábrica São Paulo, no dia 2 de junho. A montagem da Marcos Damaceno Companhia de Teatro traz como protagonista a atriz Rosana Stavis
Data:
17/5/2006
“Eu escrevo pelos mortos que estão por vir". Sarah Kane
A peça PSICOSE 4h48, de Sarah Kane, estréia em 2 de junho, sexta-feira, às 21h30, no Teatro Fábrica São Paulo, com Rosana Stavis como protagonista e Marcelo Bagnara, sob direção de Marcos Damaceno. A obra mais experimental da dramaturga londrina procura dar forma a pensamentos de uma mente psicótica.
Sua quinta e última obra aborda a depressão profunda e o que acontece quando desaparecem as barreiras entre imaginação e realidade. A doença e os tratamentos psiquiátricos a que a autora se submeteu são matérias-primas do texto – com tradução de Laerte Mello. Permeando entre o dramático, o lírico e o narrativo, expõe a alienação causada por remédios, desejos truncados e vozes que, como um fluxo de consciência, ou de inconsciência, falam sobre memórias e alucinações.
O sujeito da narrativa não linear é a mente psicótica, que por ser exposta permite ao público nela se reconhecer. O enredo se passa mais na alma da personagem deprimida, à beira do suicídio, do que na clínica psiquiátrica que remete a cenografia de estética limpa. A iluminação concebida por Nadja Naira, com luzes fluorescentes, recria o aspecto frio hospitalar.
Cheia de poesia, a dramaturgia tem como base a sonoridade das palavras e o silêncio. Devido à ausência de alguns elementos da dramaturgia convencional, como enredo, tempo linear e ação, a direção de Damaceno prioriza o tratamento do texto nas vozes dos atores, focando a atenção às palavras da obra e ao desempenho do elenco. A atriz Rosana Stavis contracena com Marcelo Bagnara, que interpreta o médico da sua personagem. “Dirigi 80% do espetáculo com o ouvido e somente o restante com os olhos. Como a temática é pesada, a interpretação não tem carga dramática. Os atores interpretam os trechos poéticos de maneira limpa e sincera”, afirma Marcos Damaceno.
“Primeiro foram trabalhadas a musicalidade das palavras e a respiração, em seguida as emoções que permeiam a obra. Precisei descer às profundezas do ser humano para compor a personagem. Depois, usei a técnica”, fala Rosana Stavis (Troféu Gralha Azul de Melhor Atriz 2004 pelo trabalho).
O discurso fragmentado e subjetivo questiona as noções de normalidade. A autora atravessou crises depressivas intensas. Sua doença foi agravada com o término de um relacionamento homossexual, meses antes do suicídio, em 1999. Aos 28 anos, ela se enforcou com os cadarços do tênis, no banheiro do hospital psiquiátrico onde estava internada, em Londres.
Antes de estrear em São Paulo, PSICOSE 4h48 cumpre sua terceira temporada em Curitiba. Até 28 de maio, a peça está na Casa do Damaceno, espaço não comercial onde são realizados os ensaios da companhia de teatro, no centro histórico. A estréia foi realizada em outubro de 2004 na cidade e encenada no 14º Festival de Teatro de Curitiba. Em julho, será mostrada em festivais de inverno e em agosto em Salvador.
Completam a equipe de criação a figurinista Maureen Miranda e o sonoplasta Vadeco. A trilha é composta por RadioHead, uma das bandas favoritas de Sarah Kane, juntamente com Joy Division. Aliás, trechos da peça são inspirados nas letras dos dois grupos ingleses.
As apresentações de PSICOSE 4h48 em São Paulo serão na Sala 2 do Teatro Fábrica, de 2 de junho a 9 de julho. O público se posicionará ao redor da sala, junto às paredes, e os atores ficarão no centro. “A disposição é ideal para a encenação intimista”, diz Damaceno.
Breves perfis
Rosana Stavis - protagonista: Uma das principais atrizes do teatro paranaense conquistou por seu talento cinco prêmios Governador do Estado do Paraná/Troféu Gralha Azul. Atuou em mais de 50 peças, óperas, filmes e produções televisivas. Entre elas, Lulu, de Frank Wedekind, e A Ópera dos Três Vinténs, de Bertolt Brecht, dirigidas por Marcelo Marchioro, Nostalgia e A Vida É Cheia de Som e Fúria, de Felipe Hirsch. Formou-se atriz pela PUC-PR em 1989, ano que conquistou o Troféu Gralha Azul de Atriz Revelação, por sua atuação em A Vida de Galileu, de Brecht, ao lado de Paulo Autran, sob direção de Celso Nunes. Como protagonista de PSiCOSE 4h48 levou o Troféu Gralha Azul de Melhor Atriz 2004. No ano passado, recebeu o Troféu Gralha Azul de Melhor Atriz Coadjuvante, com Sonho de Outono, de Jon Fosse, montada pela Marcos Damaceno Companhia de Teatro.
Marcos Damaceno - diretor: Paulista, formado em direção teatral pela Faculdade de Artes do Paraná, tem aos 28 anos uma carreira consistente como dramaturgo e diretor em Curitiba, onde mora desde a infância. Entre as peças de sua autoria estão Pedro Pedrinho Pedreco (Prêmio Governador do Estado do Paraná/Troféu Gralha Azul de Melhor Autor para Crianças) e Água Revolta, que participou com destaque em festivais na França, na Argentina e no Brasil. Em julho de 2006, o espetáculo será encenado em Córdoba, com produção local. Sua obra tem influências de Samuel Beckett, Virginia Woolf e Clarice Lispector.
Marcos Damaceno Companhia de Teatro: Entre os espetáculos do grupo criado em 2003 pelo diretor e dramaturgo Marcos Damaceno e pela atriz Rosana Stavis estão: Água Revolta (2003), de Marcos Damaceno (apresentado em 2004 nos festivais de teatro de Picardie, França, e Jovens Dramaturgos, em Córdoba, Argentina), PSICOSE 4h48 (2004) e Sonho de Outono, do norueguês Jon Fosse, encenado profissionalmente pela primeira vez no Brasil, em 2005. O espetáculo cumprirá temporada neste segundo semestre em Curitiba e em São Paulo no próximo ano. O estudo de peças - que revelam mais o funcionamento da consciência do que o discurso montado para expressá-lo - e o tratamento nas vozes dos atores como elemento principal da encenação são características das produções da companhia. Na equipe fixa, a atriz e cantora Michelle Pucci, a iluminadora Nadja Naira, a figurinista Maureen Miranda e o sonoplasta Vadeco. Cada novo espetáculo conta com a participação de diferentes atores e criadores.
Prêmio Governo do Estado do Paraná/Troféu Gralha Azul de Melhor Atriz de 2004.
“Melhores do Festival de Teatro de Curitiba de 2005” (site Tudo Paraná, RPC)
Participações no 14º Festival de Teatro de Curitiba e na Mostra de Teatro da Fundação Cultural de Curitiba.
Apresentações em abril no Espaço Sesc Copacabana, no Rio de Janeiro, e em maio de 2006, na Casa do Damaceno, em Curitiba.
Futuras apresentações (2º semestre de 2006) – 16º Festival de Inverno da Universidade Federal do Paraná em Antonina, no dia 13 de julho; Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana, na segunda quinzena de julho; e temporada no Teatro da Caixa de Salvador, na Bahia, em agosto.
Sarah Kane – a autora:Suas cinco peças, entre elas Phaedras Love (1996) e Cleansed (1998), discorrem sobre vida, amor e mutilações humanas. Blasted, sua estréia como dramaturga em 1995, causou polêmica ao traçar um paralelo entre Londres e Bósnia. O reconhecimento veio com Crave (1998), publicada sob o pseudônimo de Marie Kelvendon. Em seus últimos trabalhos, ela apostou em uma dramaturgia abstrata, não-realista, reagindo ao teatro dito político e rompendo as barreiras do realismo inglês. “O teatro não tem memória, o que faz dele uma das artes mais existenciais”, disse em entrevista. Sua última peça PSICOSE 4h48, de discurso poético e 50% confessional, foi produzida pela primeira vez no teatro Royal Court, em Londres, em 2000. Seu trabalho mais difundido em todo o mundo conquista diretores, atores e público.
Sarah Kane usou a estatística que a maioria dos suicídios ocorre antes do alvorecer para criar o título da peça. Em suas crises de depressão, ela acordou diversas vezes durante a madrugada e julgou às 4h48 a melhor hora para se matar. “Às 4h48 a hora feliz quando a claridade visita”, registrou.
Roteiro
PSICOSE 4H48 – Marcos Damaceno Companhia de Teatro. Estréia 2 de junho, sexta-feira, às 21h30 no Teatro Fábrica São Paulo – rua da Consolação, 1.623 – Consolação, São Paulo. Tel. (11) 3255-5922. Capacidade – 80 lugares. Texto – Sarah Kane. Tradução – Laerte Mello. Direção – Marcos Damaceno. Elenco – Rosana Stavis e Marcelo Bagnara. Iluminação – Nadja Naira. Cenografia – Marcos Damaceno. Figurinos – Maureen Miranda. Sonoplastia - Vadeco. Temporada - de 2 de junho a 9 de julho. Sextas e sábados, às 21h30. Domingos, às 20h30. Duração: 1h15. Atenção: Após o início da apresentação, não é permitida a entrada de espectadores. Ingressos - R$ 20,00 e R$ 10,00 (meia entrada). Censura – recomendado para maiores de 14 anos.
Crédito da matéria:
LUCIANA CASSAS ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO
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